Diego Sei


CÓRREGO

 Interessante seria poder apontar cada um dos olhos para uma direção. Através da fotografia o artista visual Diego Sei, imerge nas profundezas do submundo e retrata o mar pelo olhar do esgoto.

Camuflado num emaranhado urbano, o esgoto se faz presente em toda orla, vomitando no mar os dejetos de uma sociedade que parece não se importar com o santuário natural chamado oceano.

A obscuridade, entretanto, não é capaz de anular a forca e imponência desse gigante salgado, capaz de influenciar na lua de cada ser vivo.

Diego Sei é artista visual, surfista, graduando no Bacharelado Interdisciplinar em Artes pela UFBA, e passeia livremente entre a arte e suas vertentes, tendo a fotografia como mais uma ferramenta para explorar o íntimo humano.

O PROJETO

O impacto visual causado pela fotografia muitas vezes nos leva a lugares os quais nunca fomos. Poder capturar um momento e eterniza-lo diante dos olhos é uma das belezas que essa arte nos permite. Os estímulos que nossos olhos recebem nos convidam a refletir e analisar o que vemos e assim, através da exposição “Córrego”, o artista visual Diego Sei nos leva as profundezas do esgoto com um novo olhar.

Fotografar o esgoto na cidade de Salvador levanta uma questão ecológica muito forte, já que todos os dejetos produzidos na sociedade desembocam no oceano, que ano após ano recebe o esgoto, sem tratamento ou tratado de forma precária, prejudicando toda vida marinha e seu equilíbrio. Até quando vamos caminhar sem encararmos essa realidade ? A orla marítima não é só feita de areia branca e água salgada. Ela começa na sua descarga, ao invés de um córrego com águas limpas e vida abundante o mar recebe o excremento de uma sociedade

As fotos expostas brincam com o visual do que é e o que deveria ser. Os opostos , o preto e o branco ali: diante dos nossos olhos. A beleza que ainda existe, a natureza que ali ainda resiste, e a sujeira que se arrasta em direção ao mar, que em diversas culturas é tido como divindade, e aqui serve como receptor de sujeira.

Preservar é garantir que os recursos naturais não nos faltem. É respeitar e viver em harmonia com a natureza e tudo que ela nos oferece. A vida deve ser preservada e é isso que, de maneira lúdica e surreal, vamos tentar trazer à tona em nossos pensamentos. Ao olhar as fotos devemos pensar em comunhão com a natureza e reavaliarmos nosso papel nesse ciclo.

A conscientização ainda é o melhor recurso. A sensibilização da sociedade para essa questão é possível e a fotografia é a ferramenta para buscarmos no nosso íntimo a mudança necessária para respeitarmos a natureza como ela merece.

 

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